RESIDÊNCIA MÉDICA - Túlio V. O. Campos





Túlio Vinícius de Oliveira Campos
UFMG - Professor Assistente do Departamento de Aparelho Locomotor - tuliovoc@gmail.com


DESAFIOS NO BRASIL

    A residência médica é modalidade de pós-graduação que permite ao médico obter o título de especialista. Compreende uma formação teórica mínima e participação em atividades assistenciais supervisionadas por especialistas com reconhecida expertise na área.
      Os desafios contemporâneos enfrentados por aqueles que se dedicam a essa atividade são: lidar com a elevada quantidade e baixa qualidade de informação; equilibrar a carga horária destinada para a prática e teoria; acompanhar mudanças nos métodos de ensino e necessidades dos alunos; e preparar o especialista para enfrentar o mercado de trabalho.
     A informação é produzida em grande quantidade e velocidade; porém, sua qualidade é duvidosa. Esse fato pode gerar ansiedade para o especialista em formação, pois o nível de exigência é diferente daquele utilizado na graduação e existe uma dificuldade nítida de lidar com a frustração de não atender as cobranças.
     Os médicos residentes dedicam significativa parte do seu tempo à aquisição de conhecimento teórico para conseguir aprovação na prova de título. Como resultado, a aquisição de habilidades práticas é deixada por muitos para segundo plano. Desviar o foco da prova final e incentivar o estudo, por sua importância na vida profissional e melhora clínica dos pacientes, são tarefas árduas que devem ser almejadas por todos que se dedicam à formação dos médicos residentes.
     Os profissionais que atuam no mercado foram formados assistindo a aulas expositivas e com uma quantidade muito menor de conhecimento a ser absorvido. Hoje, as aulas expositivas não são toleradas, o conhecimento a ser adquirido é mais amplo e existe dificuldade em proporcionar oportunidade para praticar, pois os cenários são limitados em relação ao número de especialistas em formação. O emprego de metodologias ativas de ensino é um desafio para todos que foram formados em outro contexto de aprendizado. Houve mudança do paradigma: o médico residente deixa de ser aprendiz passivo e torna-se agente do seu aprendizado.
       Além de lidar com as dificuldades supracitadas, as perspectivas de trabalho são pouco promissoras. O mercado sofreu profundas mudanças e não existe garantia de emprego após o cumprimento do treinamento. 
     Transpor os desafios relacionados à formação de novos especialistas exige dedicação e preocupação com a atualização técnica, didática e humanística. Não é suficiente inundar os jovens médicos com informação. Deve existir preocupação com o despertar do pensamento crítico e do comportamento ético. Esses quesitos serão alcançados apenas se houver real preocupação com a qualidade do profissional que será formado e que nos atenderá em caso de necessidade.


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